Junta de Freguesia de Póvoa de Varzim Junta de Freguesia de Póvoa de Varzim

Azulejos - Roteiro POV

Bom dia!

Hoje, 6 de maio, Dia Mundial do Azulejo, vamos percorrer as ruas da Póvoa de Varzim observando os detalhes e as histórias que estes nos contam.

Todos sabem o que caracteriza um azulejo?

 É uma peça de argila moldada que passa por diferentes processos (decoração, cozedura e secagem) mas em Portugal, é muito mais que isso. Chegou no século XV com D. Manuel I, vindo de Espanha, com padrões geométricos de origem islâmica.

No século XVI, com a técnica italiana, o azulejo vira 'tela' para histórias religiosas e mitológicas. Passamos pelo auge do Barroco (com o auge do azul e branco) e pelo 'Estilo Pombalino' pós terramoto de 1755, até chegar ao século XIX, onde ele sai das igrejas e dos palácios e vem para as ruas da Póvoa para proteger as casas da humidade e da maresia.

 

1.     Rua Dr. Sousa Campos

Azulejo de fachada do edifício do Bankinter

Os azulejos de fachada são muito comuns por todo país, produzidos especialmente na região do Porto e Lisboa. Começamos o nosso roteiro apreciando um tipo de azulejo que eu apelido de “vivo”. E já explico. 

Este tipo de azulejo de fachada é muito comum na região do Porto, forma tapetes de grande dimensão. Neste caso o desenho é completo, mas por vezes só se consegue perceber o padrão em painéis de quatro azulejos. Eu chamo de vivos, porque adquirem ao longo do dia sombras, que alteram os desenhos, ou seja, os azulejos de relevo “dançam” consoante a luz.

O relevo é conseguido com formas enchidas com argilas de forma manual através da pressão dos dedos. Curiosamente, as zonas com maior relevo eram desgastadas, retirando o barro da parte de trás para evitar possíveis deformações durante a cozedura. Vinham de fábricas como a de Massarelos ou Santo António do Vale da Piedade, estes marcam a transição do artesanal para o mecânico.

Decidimos começar o roteiro por este edifício, porque apesar da aparência, estes não são uns azulejos antigos. Os originais foram infelizmente retirados, mas é um exemplo de manutenção da estética da fachada, apesar da perda dos azulejos originais do século XIX.

 

2.     Praça do Almada

Azulejos datados

Em contraste com os anteriores, observamos agora um tipo “raro” de azulejo. Situados quase sempre na parte superior das fachadas, temos agora os azulejos datados

- Alguém sabe o que significam?

Eles nem sempre indicam quando a casa foi construída, podem marcar a data em que o painel de azulejo foi aplicado. Muitas vezes vinham acompanhadas das iniciais do proprietário, ou do construtor— um sinal de orgulho e posse, muitas vezes também indicando a proveniência dos ganhos que possibilitaram o aparecimento destes novos fidalgos, como é o caso da designação “Propriedade Brasileira”.

 

 3. Praça do Almada

Fachada da Câmara Municipal

Agora observamos um exemplo de azulejos que marcam o movimento revivalista que procurava reproduzir a técnica da pintura tradicional, como se serviu dos temas e motivos do passado como fonte de inspiração. Todos conhecemos este edifício e mesmo que possamos não saber o que funciona no seu interior, ele não passa despercebido. Foi inaugurado em 1807, mas curiosamente, os azulejos que observamos não faziam parte do design de fachada do prédio.

Foi apenas durante as ampliações que ocorreram entre 1908-10 que António João Gomes de Amorim ofereceu estes 8 painéis que vemos hoje. Estão assinados por Bielman, responsável pelas reformas que ocorreram no edifício, e desenho dos azulejos, com data de 1909. Os painéis colocados na fachada são da Fábrica do Carvalhinho, no Porto. A ideia de colocar os painéis foi dada por Rocha Peixoto, que sugeriu diversas modificações e em particular a ideia de ornamentar a fachada com azulejos, com criações alusivas às datas principais da história da povoação.

 

4. Largo Eça de Queirós

Painel Figurativo Sra. da Conceição

Grande Painel Figurativo de Jesus e a Boa Samaritana

 - Agora vamos deixar um pouco os azulejos meramente decorativos. Os azulejos além de serem uma proteção para as casas contra a humidade e maresia, para muitos serviam como forma de invocação da proteção de Santos, pelos quais o dono da casa teria mais devoção. Como exemplo temos estas duas casas, com imagens de Nossa Senhora.

Este com a designação “Nossa Senhora concebida sem pecado 1940” é uma alusão às comemorações dos Centenários (fundação e restauração da nacionalidade) e, por extensão, a exaltação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira e Rainha de Portugal.

 - O próximo, ali mais à frente, é uma representação da grande devoção dos poveiros à N. Sra. da Assunção. É a figura religiosa mais representada em painéis de azulejos, especialmente no Bairro Sul.

Para as famílias de pescadores, estas representações serviam como uma forma de amparo e proteção espiritual contra os perigos do mar e as dificuldades do quotidiano

 - Fontanário de São Sebastião

 

Adiante... Apesar de atualmente não ter a funcionalidade que tinha para a população, o fontanário foi um local muito movimentado e importante para os habitantes da Póvoa. Foi construído em 1855 e era aqui onde os residentes tinham acesso à água potável trazida pelo Aqueduto do Coelheiro. Semelhante ao que aconteceu com a Câmara Municipal, os azulejos que vemos só foram instalados 100 anos depois da sua construção. (x)

Alguém sabe o que esta figura representa?

É a passagem da bíblia que conhecemos como “Jesus e a mulher samaritana” - Jesus passa pela região da Samaria e encontra uma mulher junto ao poço de Jacó.  Jesus pede-lhe água e surpreende a mulher, pois não era habitual os Judeus falarem com os samaritanos.

Apesar da Cena Bíblica, este Fontanário tem o nome de Fontanário de S. Sebastião. Sucede que neste Largo existia a Capela a S. Sebastião e mesmo a Rua, agora chamada de 1º de Maio, se verificarem a Placa Toponímica, ainda diz lá “antiga Rua de São Sebastião”.

Sobre o painel de azulejos e por curiosidade está gravado “de Várzea venho”, aludindo a que o nome varzim teria origem em Várzea. Hoje sabemos que isso não é verdade. O nome deriva dum antigo nome próprio: Euracini.

Ali está o escudo da Póvoa e por cima deste alguém me sabe dizer quem é esta figura?

 

Possui o brasão da Póvoa e é uma mulher, vestida com uma túnica e manto, com seu braço apoiado numa âncora. É a representação em figura humana da Póvoa de Varzim

5. Rua Sr. do Monte

Aqui podemos ver um azulejo com padrão geométrico, inspirados nos padrões do séc. XVI e princípios do Séc. XVII, produzido pelas fábricas de Devezas e Desterro, Porto e   Lisboa. Existia ainda uma fachada com o mesmo padrão decorativo na Rua da Junqueira, de que resta apenas um apontamento de 4 azulejos. Observamos também, mais um exemplo de fé, amuleto, proteção, uma representação muito estilizada da nossa Senhora em estilo Arte Nova dos anos 40.

A título de curiosidade nesta casa, por muitas vezes ficou alojado o dr. António Oliveira Salazar, quando estava de visita à Póvoa de varzim. Conta-se que seria muito devoto de N. Sra das Dores, pelo que assistia a muitas homilias nesta Igreja.

6. Instituto Madre Matilde

Semelhante aos azulejos que observamos no início do nosso passeio, vemos aqui outro exemplo de azulejo com relevo, com o padrão de malmequer, da Fábrica de Massarelos, de 1870. Além deste, vemos também o painel figurativo da Madre Matilde. O painel de Madre Matilde, que dá o nome a esta Instituição de acolhimento de crianças, fundada em 1955. É um painel moderno, com apenas alguns anos, que veio preencher um espaço deixado pela degradação dos azulejos de fachada, que se soltaram. Temos aqui um caso em que o edifício está coberto por um pano de azulejos antigos e outros são réplicas modernas.

Conseguem perceber uma diferença?

 

7. Largo das Dores:

Azulejos Hispano-Mouriscos do Hospital

Estamos diante ao maior “tapete” de azulejos da Póvoa de Varzim. Aqui vemos outro tipo de azulejo, o azulejo de semi-relevo, inspirado no estilo hispano-mourisco. Foram colocados aqui pela Santa Casa de Misericórdia em 1901-02 por um motivo muito simples, os azulejos dão à fachada um aspeto mais regular e mais durável, mais higiénico.

Aqui vemos também um outro tipo de azulejo, as cercaduras. São esses que podemos observar ao redor do painel principal. Funcionam como delimitadores, do padrão central, reforçando as linhas arquitetónicas da fachada.  Normalmente são da mesma dimensão dos azulejos que constituem o painel principal e são marcados pela presença de duas bordas, em lados opostos, para reforçar o impacto visual da orientação.

 

8. Villa Myosotis

 

Mandado construir pela Viúva do Graça Brasileiro, D. Corina. Mais tarde a Rua que intercepta a Av. Mouzinho passaria a ter o nome do seu falecido marido: António Graça.  

Descendo a avenida temos um choque visual! O edifício que destoa totalmente do padrão da avenida moderna. É uma memória da linha arquitetónica que caracterizava a Avenida Mouzinho, no início do séc. XX. O Painel central apresenta um jarrão florido com um enrolamento de folhagem e um laço de fitas pendentes. Estamos diante do estilo conhecido como Arte Nova.

Conseguem identificar a diferença entre os que vimos até agora e estes?

Reparem como os desenhos são alegóricos e ornamentais: flores, frutos e curvas, muito diferente da repetição rígida para formar padrões geométricos. A Villa Miosótys mantém-se como um dos poucos exemplos dos grandes casarões construídos no início do séc. passado na Avenida Mouzinho. A sua raridade e beleza, torna-o um dos mais importantes patrimónios da cidade. Além da arquitetura marcante, foi aqui que viveu a escritora Agustina Bessa-Luís.

 

9. Travessa de Elias Garcia

Este painel ilustra o cotidiano. 'Ala arriba!' — o grito de união poveira ao puxar os barcos. O azulejo aqui preserva a memória e o lema da cidade, representando uma cena emblemática do modo de vida do pescador poveiro. Trata-se de uma bela ilustração em estilo Art Deco, com certeza uma alusão à origem do proprietário da casa, que quis desta forma mostrar a sua ligação ao mar e o seu poveirismo. De realçar que ao contrário do que acontece com muitos exemplos de painéis figurativos, este painel não é apenas um apontamento na fachada, mas está perfeitamente delimitado na arquitetura do edifício. Se estiverem atentos ao pormenor, podem verificar que está ali representada a camisola poveira, o nosso típico catalão, a sigla mística Estrela de cinco bicos na proa do barco e até as mulheres têm o traje tradicional, ainda utilizado pelo Rancho Poveiro. Reparem que até a representação do Ala Arriba dos barcos é fidedigna. A lancha é puxada num areal e sobre rolos, para permitir o deslocamento. Além do valor estético, este painel de azulejos é um documento histórico da história da comunidade piscatória da Póvoa de Varzim.

 

 

10. Rua Elias Garcia

A Rua Elias Garcia é uma verdadeira galeria de azulejos.

Começamos no nº 134

Conseguem identificar a curiosidade destes azulejos? O proprietário personalizou os azulejos de fachada com as suas iniciais “RC”!

 

A Casa nº 117, é um exemplo típico de construção em banda de casas, para a classe operária e piscatória no início do séc. XX. É a Casa de Porta e janela, como lhe chama o poeta José Carlos Vasconcelos no seu livro: “O mar, amar a Póvoa” (x procurar poema).

 

Além do painel figurativo religioso – estes painéis chamam-se “Registos”-, apresenta um belo exemplo de azulejo de fachada. Um Padrão de conceção geométrica, produzido pela Fábrica das Devesas e do Desterro, muito coloridos e pormenorizados. Se se aproximarem parecem pixéis da tela de um computador. Teve uma grande divulgação durante a primeira metade do séc. XX. Ao longo do nosso Roteiro vamos encontrar novamente este padrão.

Fica o desafio.

 

 

Casa nº 107

Temos aqui um belo estampado formado grupos de 4 azulejos com elementos ornamentais. Este padrão aparece no catálogo da Fábrica das Devezas de 1910 e assim como um outro que iremos ver mais adiante, podemos entender como este azulejo foi feito, através de uma técnica (estampilha), onde eram colocados moldes de papel com os motivos e depois era passada por cima a trincha embebida na cor pretendida. Os motivos recortados em papel aparecem em negativo. Se se aproximarem podem ver as linhas do pincel.

 

Casa nº 97

Aqui vemos outro belo exemplo de fachada Arte Nova, com painel estampilhado de azulejos da Fábrica das Devezas, do início do séc. XX. Aos padrões geométricos de influência hispano mourica, são acrescentados os elementos da estética Arte Nova: folhas, trevos e as próprias cores garridas típicas da produção das Devesas.

 

 

 

Casa nº 77 Padaria 3 Estrelas

Aqui, no nº 77, vemos mais uma “profissão” do azulejo, além de enfeitar, proteger e contar histórias, os azulejos também serviam como suportes de publicidade.

Apesar de não ser muito comum, alguns estabelecimentos optavam por utilizar os azulejos como publicidade. Apesar de já não haver muitos exemplos na Póvoa de Varzim, o carácter duradouro dos azulejos, que por serem vidrados, mantinham por muito tempo as cores garridas, eram utilizados para formar painéis nas frentes dos estabelecimentos, antes dos néons e dos placares luminosos.

 

Casa Nº 60

Mais um exemplo de padrão geométrico. O estilo Art Deco corresponde em Portugal aos anos 20 e 30. A azulejaria destaca-se pela qualidade técnica e pelo abandono da liberdade de formas da Arte Nova. Os padrões são predominantemente geométricos.

 Esta fachada tem uma particularidade semelhante a outra que já vimos, alguém consegue identificar?

É mais um exemplo de azulejos de Cercadura

Curiosidade: em 1916, era Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal, António Dourado, que estabeleceu por Edital que “existiam amostras de azulejos no gabinete de arquitetura da Câmara da Póvoa e as pessoas só podiam ornamentar as fachadas com os padrões e cores previamente existentes. Caso a pessoa quisesse colocar uma cor ou padrão diferente, era necessário submeter amostras para a Comissão de Estatística aprovar. Quem não cumprisse estes procedimentos ficava sujeito a uma multa e era obrigado a substituir ou mudar a cor, consoante decisão da Câmara.”

Outra curiosidade é que além dos proprietários dos edifícios, os mestres de obras e operário que realizassem a colocação do azulejo também eram considerados responsáveis pela “ilegalidade”, estando sujeitos a multa.

10. Rua Latino Coelho

Nesta rua vamos observar mais casas com fachadas em azulejo, mas vamos nos focar em duas. São um exemplo de casas do início do século, com serralharias artísticas a decorar as janelas e varandas e molduras em granito.

Na casa nº88 temos o azulejo rectangular em bordeaux, facetado. Este azulejo é conhecido pelo curioso nome de “azulejo de lingote”.

Na Casa nº 80 vemos um padrão formado por 4 elementos de acentuado ritmo diagonal, da Fábrica do Carvalhido, com decoração estampilhada ou estampada. Trata-se de um padrão que se vulgarizou muito na 1ª metade do séc. XX, quer em verde quer na versão azul.

 

11. Av. Mouzinho: Villa Georgette e Casa Amarela

Estes palacetes, sempre despertaram em mim grande curiosidade. Assim como a Villa Miosóttys, estes dois casarões destacam-se na Avenida.

Os painéis foram feitos sob encomenda para este local. Trata-se de uma composição figurativa pintada à mão em azul cobalto. Este conjunto integra-se no movimento revivalista do início de séc. XX, que não só procurou reproduzir a técnica da pintura tradicional, como se serviu dos temas decorativos do passado como fonte de inspiração. Os azulejos azuis e brancos surgiram por inspiração da porcelana chinesa. No topo desta composição, junto ao tecto, encontra-se um monograma da proprietária da casa: Georgette Moreira.

Os azulejos estão datados de 1920 e assinados por P. Figueiredo, Porto. Foram produzidos na Fábrica do Carvalhinho.

Os frisos representam folhas e ouriços, em tons de castanho e amarelo, lembrando as cores outonais e marcam a transição do 2º para o último andar. Enquadrados pelo trabalho de cantaria em granito das janelas, estão dois arte nova, cheios de côr, que contrastam com os neoclássicos monocromáticos. Uma das figuras é Baco e o outro representa Fortuna. Deuses romanos ligados à fertilidade e à abundância.

O Casarão vizinho, é um projecto do Arquitecto Ventura Terra, anterior a 1903, conhecido como Casa Amarela, tem a sua fachada composta por azulejos, com padrão geométrico,  de baixo relevo na cor amarela. Novamente um friso de azulejos colorido demarca o corpo correspondente ao torreão. São elementos florais e vegetais sobre um fundo azul. Sob as Janelas destaca-se um friso de um azulejo, com flores e linhas ondulantes nas mesmas cores que o friso superior. A estética é definitivamente Arte Nova e estes azulejos surgem no catálogo da Fábrica das Devesas de 1010.

12. Largo David Alves

Aqui, no largo dr. David Alves voltamos a observar a influência da Arte Nova – pedir para que os participantes procurem – o medalhão com um retrato de jovem.

O painel é em forma de cartela enrolada e recortada. Aplicado num edifício revivalista, uma espécie de paço acastelado de inspiração medieval. As grinaldas e flores a que já estamos habituados a ver em colorido (ex. villa Myosotis) aqui são monocromáticas, em tons de azul.  

A Fachada é coberta por azulejos retangulares facetados, de cor amarela, do inicio do séc. XX, da Fábrica do Carvalhinho.

O prédio em frente apresenta uma fachada composta por azulejos de meio relevo, de concepção geométrica com uma roseta central, transição do séc. XIX para o séc. XX, da Fábrica das Devesas.

Um belo exemplo de restauro de fachada de azulejos em que se substituíram os azulejos danificados e se conservaram os originais. É possível verificar pela diferença de patina e intensidade da cor quais os azulejos novos, mas manteve-se o património arquitetónico original.

 

13. Rua Tenente Valadim

Casa nº 78

Estamos a chegar ao fim do nosso passeio e peço para que apreciem a fachada da casa nº 78, revestida a azulejos rectangulares facetados, em tons de azul. A decoração é formada por frisos de azulejos arte nova colocados no frontão. As pinhas de loiça vidrada colocadas nos dois pontos cimeiros da fachada, são encimadas pela estátua que representa a Europa. Um exemplar da coleção continentes, que também apresentava América, Africa e Asia, da Fábrica das Devesas.

 

Na Rua Alberto Jaques, podemos apreciar um belíssimo exemplo de painéis decorativos Arte Nova, perfeitamente enquadrados na arquitectura do edifício e acompanhados pelo varandim em ferro forjado, também ele um belo exemplo das linhas ondulantes da Arte Nova.

Os motivos em cores contrastantes, representam um pavão ao centro da composição, enquadrado por vários gerânios, meticulosamente desenhados. A produção destes azulejos aponta para a Fábrica da Fonte Nova, em Aveiro, mas não é uma certeza.

 

14. Painel de Azulejos

Este monumento à história da Póvoa de Varzim apresenta cenas dramatizadas da vivência, do trabalho, dos protagonistas na difícil existência dos pescadores na viragem do séc. XIX para o séc. XX, e aspectos da paisagem urbana.

Os painéis são da autoria de Nando, Fernando Gonçalves, já falecido, mas imortalizado na estátua com violino, mesmo aqui ao virar da esquina. O poveiro teve uma vida dedicada à arte, desde o desenho, da pintura à escultura, passando também pela música, Fernando Gonçalves tem vários trabalhos espalhados pela Póvoa de Varzim, entre as quais o desenho das placas toponímicas das ruas poveiras, a instalação na rotunda das Freguesias. Estes painéis foram colocados de frente para o Diana Bar e mais tarde, devido a uma grande remodelação do Passeio Alegre, foram recolocados aqui, no molhe norte do cais.

 

1.     Brasões da Póvoa de Varzim. O Brasão actual com a cruz nodosa, terminda em âncora, ladeado pelo sol e lua e com o rosário, foi substituído por algum tempo, ainda a Póvoa de Varzim era uma Vila, por este com o barco, com fundo de malha de pesca. Não teve grande aceitação, até porque o barco, pouco se assemelha a uma lancha poveira. A grande contestação fez com que a Câmara decidisse recuperar as armas antigas da Póvoa. Este Brasão mal amado pode ser visto nas traseiras da estátua de Eça de Queirós, pois era o que estava em vigor, aquando da sua inauguração.

2.     Topo: Este conjunto de painéis foram desenhados a partir de Cartões Postais da época: temos a Praça do Almada, o Passeio Alegre, ainda com a Igreja original de S. José, a Avenida Mouzinho de Albuquerque, o Largo das Dores, O Americano, O Mercado Municipal, a Avenida dos Banhos, Largo de São Roque, ida a banhos, Porto de pesca, o Guarda Sol original, Apanha do sargaço, Câmara Municipal.

3.     Ilustres: Eça de Queirós, Santos Graça, Gomes de Amorim,

4.     4. Painel inferior:

4.1 Os pescadores na enseada poveira à conversa no fieiro

4.2 O Bota abaixo da lancha Poveira

4.3 As lanchas poveiras e catraias a navegar

4.4 Casal ao Trabalho

4.5 Mulheres no soalheiro.

Uma composição feita a partir de dois quadros: “À espera dos Barcos” de Marques de Oliveira e “A volta dos barcos” de José Júlio de Sousa Pinto”.

4.6 Barco Vigia 

4.7 Ala Arriba dos Barcos

4.8 Janeiro Rico

4.9 Lota do Peixe

4.10 A reparar as redes

4.11 Dar de beber à Companha

Composição com várias personalidades da Póvoa de Varzim: o Tio Peroqueiro, João Moço do filme Ala-Arriba

4.12   Cego do maio

4.13   Patrão Sérgio

4.14   Patrão lagoa

4.15   Tio Tomás Cavalheira

4.16   Apanha do sargaço

4.17   Cena Familiar

4.18   Tragédia

4.19   Traje de Luto

4.20   Regresso dos barcos

4.21   Romaria a Sto. André

4.22   Salvamento do Veronese

O Paquete Inglês de passageiros naufragou em Matosinhos e desde logo se adivinhava muito complicado o salvamento. O Salva vidas Cego do maio foi enviado com a tripulação composta por Patrão Lagoa, Tio Peroqueiro, tio Joaquim Capelão.

 

 

 

Azulejos - Roteiro POV

 

# Trilho Descrição
Azulejo de fachada do edifício do Bankinter Os azulejos de fachada são muito comuns por todo país, produzidos especialmente na região do Porto e Lisboa. Começamos o nosso roteiro apreciando um tipo de azulejo que eu apelido de “vivo”. E já explico. Este tipo de azulejo de fachada é muito comum na região do Porto, forma tapetes de grande dimensão. Neste caso o desenho é completo, mas por vezes só se consegue perceber o padrão em painéis de quatro azulejos. Eu chamo de vivos, porque adquirem ao longo do dia sombras, que alteram os desenhos, ou seja, os azulejos de relevo “dançam” consoante a luz. O relevo é conseguido com formas enchidas com argilas de forma manual através da pressão dos dedos. Curiosamente, as zonas com maior relevo eram desgastadas, retirando o barro da parte de trás para evitar possíveis deformações durante a cozedura. Vinham de fábricas como a de Massarelos ou Santo António do Vale da Piedade, estes marcam a transição do artesanal para o mecânico. Decidimos começar o roteiro por este edifício, porque apesar da aparência, estes não são uns azulejos antigos. Os originais foram infelizmente retirados, mas é um exemplo de manutenção da estética da fachada, apesar da perda dos azulejos originais do século XIX.

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