Os Roteiros POV são percursos criados para dar a conhecer a Póvoa de Varzim sob novos pontos de vistas. Absorvidos pelo dia a dia, passámos pelos sítios sem prestar atenção a pormenores, que muitas vezes são uma parte importante e pouco valorizada do nosso património. Assim, convidamos a olhar à nossa volta , descobrindo novas paisagens, e novos pontos de interesse, provando que ainda há muito por ver e que a descoberta por vezes só depende duma mudança de perspectiva.
Duração: 2 horas
Percurso: plano, sem obstáculos
Ficha Técnica:
Autor: Maria Eduarda Ferreira (Aluna da Licenciatura em Gestão de atividades Turísticas)
Orientadora da ESHT: Daniela Meneses
Coordenador: José Ricardo Silva
Coordenação Científica: Sandra Amorim
Orientadora de Estágio: Cátia Cruz
Bibliografia:
O Azulejaria de Fachada na Póvoa de Varzim, 1850 - 1950, Sandra Amorim
O Comércio da Póvoa de Varzim, 16.07.1916
Fundo de História Local da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto
| # | Trilho | Descrição |
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| Azulejos de relevo | Tipologia: Azulejo de fachada | Época: Réplica dos Azulejos originais | Fábrica: Originais da Fábrica de Massarelos ou Sto. António do vale da Piedade | Os azulejos de fachada são muito comuns por todo país, produzidos especialmente na região do Porto e Lisboa. Começamos o nosso roteiro apreciando um tipo de azulejo que eu apelido de “vivo”. E já explico. Este tipo de azulejo de fachada é muito comum na região do Porto, forma tapetes de grande dimensão. Neste caso o desenho é completo, mas por vezes só se consegue perceber o padrão em painéis de quatro azulejos. Eu chamo de vivos, porque adquirem ao longo do dia sombras, que alteram os desenhos, ou seja, os azulejos de relevo “dançam” consoante a luz. O relevo é conseguido com formas enchidas com argilas de forma manual através da pressão dos dedos. Curiosamente, as zonas com maior relevo eram desgastadas, retirando o barro da parte de trás para evitar possíveis deformações durante a cozedura. Vinham de fábricas como a de Massarelos ou Santo António do Vale da Piedade, estes marcam a transição do artesanal para o mecânico. Decidimos começar o roteiro por este edifício, porque apesar da aparência, estes não são uns azulejos antigos. Os originais foram infelizmente retirados, mas é um exemplo de manutenção da estética da fachada, apesar da perda dos azulejos originais do século XIX. | |
| Azulejo datado ou cartela de azulejo | Conjunto de três habitações familiares, do final do séc. XIX, com azulejos datados na fachada. Casa nº 56: Tipologia: Azulejo com decoração floral estampilhada, enriquecido com apontamentos de pintura manual, com influência dos motivos decorativos dos azulejos holandeses. | Época: Exemplar bastante antigo dos anos 50. | Fábrica: Fabrico Portuense | Casa nº54: Réplicas dos azulejos originais | Casa nº 53: Tipologia: Azulejo de fachada com decoração vegetalista com dois tons de azul sobre fundo branco, painel composto com azulejos de cercadura. | Época: 2ª metade do séc. XIX | Fábrica: produção do Porto | Situados quase sempre na parte superior das fachadas, temos os azulejos datados. Estes são um tipo um tipo “raro” de azulejo. Nem sempre indicam quando a casa foi construída, podem marcar a data em que o painel de azulejo foi aplicado. Muitas vezes vinham acompanhadas das iniciais do proprietário, ou do construtor— um sinal de orgulho e posse, podendo indicar também a proveniência dos rendimentos que possibilitaram o aparecimento destes novos fidalgos, como é o caso da designação “Propriedade Brasileira”. | |
| Painéis de Azulejos decorativos na fachada da Câmara Municipal | Tipologia: Azulejos decorativos. | Época: Datados de 1909. | Fábrica: Carvalhinho, Porto - Assinados pelo belga Bielman | Na fachada do edifício da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, inaugurado em 1807, encontram-se 8 painéis de azulejos alusivos às principais datas da povoação. Foram oferecidos à Câmara pelo benemérito António João Gomes de Amorim, da família "Bonitos de Amorim", durantes as obras de ampliação do edifício que ocorreram entre 1908 e 1910. Este tipo de azulejos são característicos de um movimento revivalista que procurava reproduzir a técnica da pintura tradicional, utilizando motivos decorativos como os laços, flores, plumas, conchas e medalhões em tons de azul e branco. | Ao ler os painéis da esquerda para a direita, observa-se: 1º painel; 2º painel; 3º painel; 4º painel; 5º painel; 6º painel, 7º painel; 8º painel. | Inscrições nas cartelas de azulejos da fachada principal: ...SECULO X - VILLA EURACINI SECULO XIV (1308) ...POBRA DE VARZIM DE JUSAÃO; FORAL DE D. DINIZ AOS HABITANTES DO REGUENGO DE VARAZIM DE JUSAÃO EM 1308; OUTHORGA DO FORAL DE D. MANOEL EM 1514; CREAÇÃO DE COMARCA EM 16 DE JUNHO DE 1875; RESTAURAÇÃO DOS PAÇOS DO CONCELHO 1908 - 1910; "ESTES AZULEJOS FORAM OFFERECIDOS À CAMARA DA POVOA DE VARZIM PELO EX.MO SNR FRANCISCO JOÃO D'AMORIM DA FAMILIA DOS BONITOS D'AMORIM; CONSTRUCÇÃO DOS PAÇOS DO CONCELHO PROVISÃO REGIA DE 21 DE FEVEREIRO DE 1791. | |
| Azulejo Religioso | Tipologia: Painel de Azulejos com motivo religioso "N. Sra. da Conceição". | Época: 1940, séc. XX. | Fábrica: | Painel de 16 azulejos colocados sobre a porta de entrada de moradia, em tons de azul, com amarelo na tiara de estrelas. A expressão "Nossa Senhora concebida sem pecado" refere-se ao dogma católico da Imaculada Conceição, solenemente proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, que afirma que Maria foi preservada do pecado original desde o primeiro instante da sua conceição. Esta designação no painel é uma alusão às Comemorações Centenárias (fundação da nacionalidade e Restauração da Independência) e, por extensão, a exaltação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira e Rainha de Portugal. | |
| Fontanário de São Sebastião | Tipologia: Painel de Azulejos Religiosos. | Época: Datados de 1955 | Fábrica: Fábrica do Carvalhinho, Vila Nova de Gaia - Assinados pelo pintor Duarte Menezes. | Apesar de atualmente não ter a funcionalidade que tinha para a população, o fontanário foi um local muito movimentado e importante para os habitantes da Póvoa de Varzim. Foi construído em 1855 e era aqui onde os residentes se abasteciam de água trazida pelo Aqueduto do Coelheiro. Semelhante ao que aconteceu na Câmara Municipal, os azulejos que vemos só foram instalados 100 anos depois da construção. O tema escolhido é a passagem bíblica “Jesus e a mulher Samaritana”. Jesus passa pela região de Samaria e encontra uma mulher junto ao poço de Jacó. Jesus pede-lhe água e surpreende a mulher, pois não era habitual os Judeus falarem com os Samaritanos. Apesar da impressionante Cena Bíblica, este Fontanário tem o nome de Fontanário de S. Sebastião, porque neste Largo existia a Capela a S. Sebastião e mesmo a Rua, agora chamada de Rua 1º de Maio, se chamava pelo mesmo motivo Rua de São Sebastião. A Capela entretanto fio demolida para abertura de nova rua. Por curiosidade sobre o painel de azulejos está gravado em granito “de Várzea tenho origem”. A frase é encimada pelo escudo de armas da Póvoa de Varzim, sendo que a figura feminina no topo representa "A Póvoa". | |
| Painel Religioso e Azulejos de fachada | Tipologia: Painel Religioso representando N. Sra. da Conceição e Azulejos de fachada em tons de azul com motivos florais. | Época: 2ª metade do Séc. XIX. | Fábrica: Azulejo de fachada com decoração estampada da Fábrica de Sacavém. | A Póvoa de Varzim tem vários exemplos de painéis religiosos nas casas, com especial predominância do tema Sra. da Conceição por ser também a Padroeira da Póvoa de Varzim. As duas casas encontram-se também no Bairro da Matriz, na proximidade da Igreja que é consagrada à Sra. da Conceição. Apesar de neste caso o painel de azulejos de fachada ser da Fábrica de Sacavém, este motivo decorativo foi também utilizado pela Fábrica do carvalhinho para produzir padronagem estampada e estampilhada. | |
| Fachada e Painel de Azulejos Religiosos | Tipologia: Painel de Azulejos Geométricos e interessante Painel representando N. Senhora. | Época: . | Fábrica: . | O Painel de 36 azulejos monocromáticos em castanho, volta a recuperar o tema da Imaculada Conceição, associando-o aos 300 anos da declaração de N. Sra. como Padroeira de Portugal. Aqui podemos ver um azulejo com padrão geométrico, inspirados nos padrões do séc. XVI e princípios do Séc. XVII, produzido pelas fábricas de Devezas e Desterro, Porto e Lisboa. Existia ainda uma fachada com o mesmo padrão decorativo na Rua da Junqueira, de que resta apenas um apontamento de 4 azulejos. Observamos também, mais um exemplo de fé, amuleto, proteção, uma representação muito estilizada da nossa Senhora em estilo Arte Nova dos anos 40. | |
| Instituto Madre Matilde | Tipologia: Azulejo com relevo e azulejo figurativo | Época: 1870 | Fábrica: Fábrica de Massarelos – originais | Esta fachada possui exemplares de azulejos de relevo com o padrão de malmequer e, além destes, é possível observar também um painel figurativo da Madre Matilde. O painel da Madre Matilde, que dá o nome a esta instituição de acolhimento de crianças fundada em 1955, é um painel moderno, com apenas alguns anos, que veio preencher um espaço deixado pela degradação dos azulejos de fachada que se soltaram. Temos aqui um caso em que o edifício está coberto por um pano de azulejos antigos e outros são réplicas modernas, sendo possível perceber a diferença entre eles. Os mais antigos apresentam patina e coloração mais escura. | |
| Edifício do Hospital da Póvoa de Varzim | Tipologia: Azulejo de meio-relevo e cercaduras | Época: 1901/2 | Fábrica: Fábrica das Devezas | Este é o maior “tapete” de azulejos da Póvoa de Varzim. Aqui é possível observar azulejos de semi-relevo com padrão de laçarias geométricas formando uma composição radial, inspirado no estilo hispano-mourisco. Foram colocados na fachada pela Santa Casa da Misericórdia por um motivo muito simples: os azulejos dão à fachada um aspeto mais regular, durável e mais higiénico. Esta fachada possui também azulejos de cercaduras. São estes que se encontram ao redor do painel principal. Funcionam como delimitadores do padrão central, reforçando as linhas arquitectónicas da fachada e interligando o azulejo e a arquitetura. Normalmente são da mesma dimensão dos azulejos que constituem o painel principal e são marcados pela presença de duas bordas, em lados opostos, para reforçar o impacto visual da orientação. | |
| Villa Myosótis | Tipologia: Frisos e painel decorativo | Época: Início do século XX | Fábrica: Fábrica do Carvalhinho | Ao descer a avenida Mouzinho de Albuquerque temos um choque visual: um edifício que destoa totalmente do padrão da avenida moderna, sendo uma memória da linha arquitetónica que caracterizava a avenida no início do século XX. O painel central apresenta um jarrão florido com um enrolamento de folhagem e um laço de fitas pendentes. Estamos diante do estilo conhecido como Arte Nova e de uma produção da Fábrica do Carvalhinho. Os desenhos são alegóricos e ornamentais: flores, frutos e curvas, muito diferentes da repetição rígida para formar padrões geométricos. A Villa Miosótys mantém-se como um dos poucos exemplos dos grandes edifícios construídos no início do século passado na Avenida Mouzinho. Mandado edificar em 1925 por Corina Elisa Ribeiro Torres, trata-se do primeiro prédio de rendimento a ser edificado na então vila da Póvoa, que se vinha a afirmar como a mais importante estância balnear do Norte do país. A abastada proprietária era viúva de António Francisco dos Santos Graça, o “Graça brasileiro”, homenageado na toponímia poveira com a “Rua de António Graça”, que lhe foi prestada em vida, no ano de 1909. Viveu no apartamento do rés-do-chão esquerdo a escritora Agustina Bessa-Luís, que na Póvoa passou cerca de três anos da sua adolescência. A comemoração do centenário do nascimento da escritora ficou assinalada na placa evocativa aqui colocada pelo município. A sua raridade e beleza tornam-no um dos mais importantes patrimónios da cidade. | |
| Painel Ala Arriba | Tipologia: Painel Ilustrativo | Época: ? | Fábrica: ? | Este painel ilustra o quotidiano da vida dura do pescador poveiro. "Ala arriba!" — o grito de união poveira ao puxar os barcos. O azulejo aqui preserva a memória e o lema da cidade, representando uma cena emblemática do modo de vida do pescador poveiro. Trata-se de uma bela ilustração em estilo Art Déco, podendo ser uma alusão à origem do proprietário da casa, que quis desta forma mostrar a sua ligação ao mar ou o seu poveirismo. De realçar que, ao contrário do que acontece com muitos exemplos de painéis figurativos, este painel não é apenas um apontamento na fachada, mas está perfeitamente delimitado na arquitetura do edifício. Ao estar atento aos pormenores, é possível verificar que está ali representada a camisola poveira, o típico catalão, a sigla mística "estrela de cinco pontas" na proa do barco e as mulheres têm o traje tradicional, ainda utilizado pelo Rancho Poveiro. Repare que até a representação do "Ala Arriba" dos barcos é fidedigna. A lancha é puxada num areal e sobre meios-rolos para permitir o deslizamento. Além do valor estético, este painel de azulejos é um documento histórico da comunidade piscatória da Póvoa de Varzim. | |
| Casa nº117 Rua Elias Garcia | Tipologia: Azulejo de fachada e painel religioso | Época: 1ª metade do século XX | Fábrica: Fábrica das Devezas ou Desterro | A Casa nº 117 é um exemplo típico de construção em banda de casas, para a classe operária e piscatória no início do séc. XX. É a "Casa de porta e janela", como lhe chama José Carlos Vasconcelos no seu livro: “O mar, amar a Póvoa”. Além do painel figurativo religioso, chamados de “Registos”, representando a N. Sra. do Sameiro, apresenta um belo exemplo de azulejo de fachada. Um padrão de concepção geométrica, muito colorido e pormenorizado, que para criar o pano de fachada utiliza apenas um azulejo. Se se aproximar, parecem pixéis do ecrã de um computador, sendo possível encontrá-lo também este motivo na Rua Latino Coelho. | |
| Casa nº107 Rua Elias Garcia | Tipologia: Azulejo de Fachada | Época: 1910 | Fábrica: Fábrica das Devezas | A casa nº 107 possui um belo estampado formado por grupos de 4 azulejos com elementos ornamentais. Ao se aproximar, é possível entender como este azulejo foi feito através da técnica da estampilha: eram usados moldes de cartão com os motivos recortados e depois era passada por cima a trincha embebida na cor pretendida. Os motivos recortados no cartão aparecem em negativo. Ao se aproximar é possível ver as marcas do pincel. No topo do Frontão da casa, podemos apreciar um conjunto de azulejos que exibem uma característica diferente de todos aqueles que vimos até agora. É uma composição de azulejos quadrados com azulejos recortados, que emolduram a imagem do Sagrado Coração de Jesus. | |
| Casa nº97 - Rua Elias garcia | Tipologia: Azulejo de fachada | Época: Princípios do século XX | Fábrica: Fábrica das Devezas | A casa nº 97 é um belo exemplo de fachada Arte Nova, com painel estampilhado onde, aos padrões geométricos de influência hispano-mourisca, são acrescentados os elementos da estética Arte Nova: folhas, trevos e cores garridas. | |
| Casa nº77 - Rua Elias Garcia Azulejo Publicitário | Tipologia: Azulejo publicitário | Época: Início do século XX | Fábrica: ? | Aqui, no nº 77, é possível ver mais uma função do azulejo: além de enfeitar, proteger e contar histórias, os azulejos também serviam como suportes de publicidade. Apesar de não ser das utilizações mais comuns, alguns estabelecimentos optavam por utilizar os azulejos como publicidade. Embora já não existam muitos exemplos na Póvoa de Varzim, o carácter duradouro dos azulejos, que por serem vidrados mantinham por muito tempo as cores garridas, fazia com que fossem utilizados para formar painéis nas frentes dos estabelecimentos antes dos néons e dos placares luminosos. A “Padaria Três Estrelas” é um raro exemplo, com as suas estrelas em madeira em destaque. O desenvolvimento económico e social que marcou a transição para o século XX conduziu à afirmação de uma classe urbana de pequenos industriais e comerciantes, muito atenta aos novos gostos e modas da época. A estética Arte Nova vai servir os interesses desta burguesia ao acompanhar a "renovação dos hábitos sociais e o desenvolvimento mundano e cosmopolita do início do século" que estiveram na origem do aparecimento das "lojas modernas". Os estabelecimentos comerciais receberam letreiros e painéis figurativos e ornamentais que serviam para anunciar as próprias lojas e a especialidade dos produtos ou serviços aí vendidos. Era uma forma de atrair a atenção dos clientes, bem como um sinal de modernidade e, assim, animavam-se as frontarias tirando partido das potencialidades plásticas do azulejo: a cor, a forma, a textura, o desenho, o brilho. Apesar de este ser um exemplo modesto dos azulejos publicitários portugueses, nota-se o cuidado estético na escolha de um tipo de letra de design moderno e a composição plástica ousada com as estrelas em saliência. Como já referido, é um exemplo modesto, mas também é um caso raro na Póvoa de Varzim, dado que os que existiam já não existem mais, pelo que vale a pena vir conhecê-lo e será importante preservá-lo. | |
| Casa nº60 - Rua Elias Garcia | Tipologia: Azulejo de fachada e cercadura | Época: Primeira metade do século XX | Fábrica: Fábrica de Sacavém ou das Devezas | A casa nº 60 é mais um exemplo de azulejaria de fachada com padrão geométrico. O estilo Art Déco corresponde em Portugal aos anos 20 e 30 e destaca-se pela qualidade técnica e pelo abandono da liberdade de formas da Arte Nova, sendo os padrões predominantemente geométricos. Além dos azulejos que cobrem a fachada, nesta casa também é possível observar as cercaduras. Também em padrão geométrico, a cercadura destaca o painel de azulejos principal. O azulejo dividido em quartos, provoca uma ilusão óptica de que o painel é composto por uma miríade de azulejos de pequenas dimensões. É também característico deste novo modo de pensar a estética, a utilização de apenas um azulejo que compõem toda a fachada, por oposição a outros exemplos Arte Nova, em que o padrão é sempre composto por quatro azulejos. | |
| Casa nº88 - Rua latino Coelho | Tipologia: Azulejo de fachada – “Lingote” | Época: ? | Fábrica: ? | Na casa nº 88 observa-se o azulejo retangular em bordeaux, facetado. Este azulejo é conhecido pelo curioso nome de “azulejo de lingote”. | |
| Casa nº 80 - Rua Latino Coelho | Tipologia: Azulejo de fachada | Época: 1ª metade do século XX | Fábrica: Fábrica do Carvalhinho | A Casa nº 80 apresenta um padrão formado por 4 elementos de acentuado ritmo diagonal, com decoração estampilhada e, mais tarde, estampada. Trata-se de um padrão que se vulgarizou muito na 1ª metade do séc. XX, quer em verde quer na versão azul, e por isso pode ser encontrado em outras fachadas. | |
| Villa Georgette | Tipologia: Azulejos decorativos e cercaduras | Época: 1920 | Fábrica: Fábrica do Carvalhinho – Assinados pelo pintor Pedro Figueiredo | Estes casarões, assim como a Villa Miosótys, despertam grande curiosidade em quem passa pela avenida. A “Villa Georgette” (conhecida por “Casa Azul”), um edifício estilisticamente historicista e de gosto eclético, obedece ao projeto assinado em 1910 pelo arquiteto municipal Gonçalo Artur da Cruz e foi mandada edificar por Manuel João Gomes de Amorim, o “Mandú”, filho do benemérito Manuel João Gomes de Amorim e de sua mulher e prima Adelaide Soares de Amorim. Curiosamente, era irmão de Teresa Gomes de Amorim Cunha, proprietária da contígua “Casa Amorim Cunha" ou “Casa Amarela”, e de Mariana Gomes de Amorim Alves, esta casada com o Dr. David Alves, residentes numa moradia com frente para o Largo do Café Chinês (atual Largo do Dr. David Alves), que possuía um extenso jardim que se prolongava até à Avenida Mouzinho de Albuquerque, tornando vizinhas as moradias dos três irmãos. A casa recebeu o nome de “Villa Georgette” após o nascimento da filha do proprietário: Jorgina Georgette Mendes de Amorim. Para além dos azulejos monocromáticos que revestem toda a superfície mural, pequenos painéis ornamentais surgem associados às fenestrações e um friso estampilhado com motivos vegetais está subjacente à cornija. No pórtico que antecede a entrada há dois painéis figurativos em azul-cobalto com imagens de anjos; um, na superfície mural oposta às colunas, integra as fenestrações na composição. O outro preenche o teto do pórtico. Estes azulejos estão datados de 1920 e assinados por Pedro Figueiredo, pintor que trabalhou para a Fábrica do Carvalhinho; também os frisos azulejares são produção da mesma fábrica. Os painéis foram feitos sob encomenda para este local. Trata-se de uma composição figurativa pintada à mão em azul-cobalto. Este conjunto integra-se no movimento revivalista do início do séc. XX, que não só procurou reproduzir a técnica da pintura tradicional, como se serviu dos temas decorativos do passado como fonte de inspiração. Os azulejos azuis e brancos surgiram por inspiração da porcelana chinesa. Os frisos representam folhas e ouriços em tons de castanho e amarelo, lembrando as cores outonais, e marcam a transição do 2º para o último andar. Enquadrados pelo trabalho de cantaria em granito das janelas, estão dois painéis figurativos Arte Nova cheios de cor que contrastam com os monocromáticos. Uma das figuras é Baco e o outro representa Fortuna, deuses romanos ligados à fertilidade e à abundância. | |
| Casa Amarela - Avenida Mouzinho | Tipologia: Azulejo de fachada de semi-relevo e frisos | Época: 1910 | Fábrica: Fábrica das Devezas | A “Casa Amarela” foi mandada edificar em 1901 por Teresa de Jesus Gomes de Amorim (Recife/Brasil, 1876 - PV, 1960), irmã de Manuel João Gomes de Amorim, o “Mandú”, que viria a construir em 1910 a contígua “Villa Georgette”. Teresa Amorim era filha do benemérito Manuel João Gomes de Amorim (Amorim/PV, 1848 - Lisboa, 1900; um dos “Bonitos de Amorim” que edificaram a igreja nova de Amorim) e de sua mulher e prima Adelaide Soares de Amorim (Recife/Brasil, 1849 - Porto, 1904); era irmã de Mariana Gomes de Amorim Alves, que casou com o Dr. David Alves. Teresa Gomes de Amorim contraiu matrimónio em 1904 com o Dr. Quirino Augusto de Sousa e Cunha (natural de Barqueiros/Barcelos, 1867 - PV, 1947), daí a moradia também ser conhecida por “Casa Amorim Cunha”. Quanto à autoria do projeto, não há consenso entre os investigadores, sendo possivelmente risco do arquiteto Miguel Ventura. As fachadas são revestidas com azulejos de meio-relevo e estampilhados com diferente coloração, com os dos frisos realçando superiormente as superfícies murais. Novamente, um friso de azulejos colorido demarca o corpo correspondente ao torreão. São elementos florais e vegetais sobre um fundo azul. Sob as janelas destaca-se um friso de um azulejo com flores e linhas ondulantes nas mesmas cores que o friso superior. A estética é definitivamente Arte Nova e estes azulejos surgem no catálogo da Fábrica das Devezas de 1910. | |
| Fachada Modernista - Edifício de habitação multifamiliar nº 57-55 | Tipologia: Azulejo de Fachada | Época: 2ª metade do século XX – 1953 até 1961 | Fábrica: Fábrica ALELUIA | A expressão arquitetónica é claramente uma referência à linguagem moderna, onde é visível a perfeita simetria dos alçados. A estrutura marcada na fachada, a simplicidade volumétrica, as palas, as grelhagens e o revestimento azulejar são elementos essenciais do movimento moderno. A fachada é totalmente revestida por azulejos idênticos que, no seu conjunto, formam um padrão geométrico. O motivo, de grande simplicidade, é composto por uma linha desenhada com uma única cor sobre outra de fundo, criando-se um elemento que permite a ligação do desenho em diversas posições dos azulejos, possibilitando uma variedade de soluções na aplicação. Este conceito — o de repetição de um único elemento/azulejo capaz de criar vários padrões — marca a azulejaria de fachada da segunda metade do século XX pela facilidade e economia de execução industrial e numa clara ligação aos pressupostos criativos do design. Este é um padrão típico dos anos 50, produzido pela Fábrica ALELUIA no período entre 1953-1961, concebido pelo arquiteto Arménio Losa (Braga, 1908 - Porto, 1988). | |
| Casa nº 199 - Rua da Alegria | Tipologia: Azulejo meio relevo realizados com placa pó de pedra e cobertos de vidrado castanho. | Época: princípios do Século XX | Fábrica: Fábrica de Sacavém. O edifício foi totalmente reconstruído mas manteve a fachada, em que foram reaplicados os azulejos originais. | |
| Edifício conhecido por Castelinho | Tipologia: Azulejo de fachada e painel decorativo | Época: Início do século XX | Fábrica: Fábrica do Carvalhinho | No Largo Dr. David Alves é possível observar a influência da Arte Nova – o medalhão com um retrato de jovem. O painel é em forma de cartela enrolada e recortada, aplicado num edifício revivalista, uma espécie de paço acastelado de inspiração medieval. As grinaldas e flores que já estamos habituados a ver em colorido (ex. Villa Myosótis), aqui são monocromáticas, em tons de azul. A fachada é coberta por azulejos retangulares facetados de cor amarela, do início do séc. XX, da Fábrica do Carvalhinho. | |
| Edifício Rosa - Largo David Alves nº 4 - 6 | Tipologia: Azulejo de meio-relevo | Época: Século XIX para o século XX | Fábrica: Fábrica das Devezas – originais | Este prédio apresenta uma fachada composta por azulejos de meio-relevo de conceção geométrica com uma roseta central. É um belo exemplo de restauro de fachada de azulejos, em que se substituíram os azulejos danificados e se conservaram os originais. É possível verificar, pela diferença de pátina e intensidade da cor, quais os azulejos novos, mas manteve-se o património arquitetónico original. | |
| Fachada Arte Nova - Rua Tenente Valadim nº78 | Tipologia: Azulejos de fachada e frisos | Época: ? | Fábrica: ? | Ao apreciar a fachada da casa nº 78, observa-se azulejos retangulares facetados em tons de azul. A decoração é formada por frisos de azulejos Arte Nova colocados no frontão. As pinhas de loiça vidrada colocadas nos dois pontos cimeiros da fachada, características das fábricas do Porto, são encimadas pela estátua que representa a Europa, um exemplar da coleção continentes (que também apresentava América, África e Ásia) da Fábrica das Devezas. | |
| Painéis Arte Nova | Tipologia: Painel decorativo | Época: ? | Fábrica: ? | Na Rua Alberto Jacques aprecia-se um belíssimo exemplo de painéis decorativos Arte Nova, perfeitamente enquadrados na arquitetura do edifício e acompanhados pelo varandim em ferro forjado, também ele um belo exemplo das linhas ondulantes da Arte Nova. Os motivos, em cores contrastantes, representam um pavão ao centro da composição, enquadrado por várias hortênsias meticulosamente desenhadas. A produção destes azulejos aponta para a Fábrica da Fonte Nova, em Aveiro, mas não é uma certeza. | |
| Painéis de Azulejos de Fernando Gonçalves "Nando" | Tipologia: Painel ilustrativo | Época: ? | Fábrica: Estúdios Nando – Assinados pelo artista Fernando Gonçalves | Este monumento à história da Póvoa de Varzim apresenta cenas dramatizadas da vivência, do trabalho e dos protagonistas na difícil existência dos pescadores na viragem do séc. XIX para o séc. XX, além de aspetos da paisagem urbana. Os painéis são da autoria de "Nando" (Fernando Gonçalves), já falecido, mas imortalizado na estátua com violino ao virar da esquina. O poveiro teve uma vida dedicada à arte: do desenho e pintura à escultura, passando também pela música. Fernando Gonçalves tem vários trabalhos espalhados pela Póvoa de Varzim, entre os quais o desenho das placas toponímicas das ruas poveiras e a instalação na rotunda das freguesias. Existiam painéis em frente ao Diana Bar que, mais tarde, devido a uma grande remodelação do Passeio Alegre, foram demolidos e recriados para serem postos no molhe norte do cais. São 40 painéis que retratam o quotidiano da Póvoa e grandes personalidades que aqui nasceram. | |
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