Junta de Freguesia de Póvoa de Varzim Junta de Freguesia de Póvoa de Varzim

Ruas no Feminino

A Póvoa de Varzim, vista pela grandeza das mulheres que construíram a comunidade poveira. Um percurso onde se dirige o olhar para a importância da mulher na história da Póvoa, seja pela sua contribuição para as nossas tradições, as nossas Instituições culturais e Sociais, seja pela relevância da sua profissão no meio urbano, ou pelo relevo alcançado pela sua obra. 

Duração: 2 horas

Percurso: plano, sem obstáculos

Ficha Técnica:

Autor: Maria Eduarda Ferreira (Aluna da Licenciatura em Gestão de atividades Turísticas)

Orientadora da ESHT: Daniela Meneses

Coordenador: José Ricardo Silva

Orientadora de Estágio: Cátia Cruz

Bibliografia:

Toponímia da Póvoa de Varzim, de Fernando Barbosa

Boletim Cultural da Póvoa de Varzim, vários

Roteiro baseado na Exposição Comemorativa do Dia da Mulher "Ruas no feminino", organizada pela Junta de Freguesia e na mostra de Toponímia no Feminino, organizada pela Biblioteca Municipal Rocha Peixoto.


Ruas no Feminino

 

# Trilho Descrição
RUA LAURINDA POÇASLaurinda Poças da Silva nasceu na Póvoa de Varzim, em 13 de outubro de 1919 e aí faleceu, no dia 2 de março de 2013, na Santa Casa da Misericórdia “Laurinda Poças – A Morte de Uma Filantropa”. A Voz da Póvoa, de 06/03/2013, p. 7; “Benemérita Laurinda Poças morre aos 93 anos”. Mais Semanário, de 06/03/2013, p. 10. Em 2002, foi uma das personalidades poveiras reconhecidas pelo Município, sendo-lhe atribuída a Medalha de Reconhecimento Poveiro – Grau Prata “Laurinda Poças e José Faria homenageados com grau prata – Reconhecimento poveiro”. Póvoa Semanário, de 09/05/2002, p. 2.. No folheto editado pela Câmara Municipal para essa ocasião, pode ler-se uma breve, mas esclarecedora biografia da homenageada, da qual se transcreve uma parte: «(…) Tem, não obstante a modesta origem social e a escassa formação escolar, uma vida de intensa dedicação voluntária à causa dos mais necessitados. (…) Após a morte dos pais (o último faleceu tinha a Laurinda 50 anos) começou a participar nos movimentos paroquiais da Matriz (era e foi Pároco Monsenhor Pires Quesado), constatando-se a necessidade de criação de um organismo de apoio à infância – havia-o apenas para apoio à terceira idade… Foi assim que, com a ajuda de um núcleo de paroquianos (…) surge, no âmbito d´A Beneficente, o Jardim-Escola de Santo António, onde Laurinda trabalhou 20 anos (saiu aos 70, por limite de idade). Durante estes 20 anos, vários outros projectos de intervenção social lhe brotaram do coração ou colheram amparo no seu regaço: o MAPADI, de que foi co-fundadora, colaborando no processo inicial de angariação de fundos e de instalação; a Conferência Vicentina, o Grupo Sócio-Caritativo da Paróquia (que reúne, com o Pároco, as diversas instituições sociais da Matriz). À Juventude Operária Católica (JOC) pertenceu entre os 12 e os 30 anos, seguindo-se-lhe a participação, na Liga Operária Católica. Foi na JOC que conheceu Maria da Paz Varzim, então a grande impulsionadora deste e de outros movimentos sociais católicos. Foi por isso que, na hora de criar nova Instituição, defendeu com êxito, junto do núcleo fundador (…) a atribuição do nome daquela benemérita ao Instituto. A sua militância social estendeu-se a muitas outras actividades: a dinamização de um grupo que apoiou as famílias carenciadas dos antigos bairros degradados da Matriz (Moninhas e Mariadeira) e do bairro social, o ensino da Catequese há mais de 50 anos, a direcção e o ensaio de grupos de teatro da Paróquia, a participação no Conselho Pastoral Paroquial, a dinamização do grupo “Jovens da 3ª idade”, além de inúmeros actos altruístas que, no anonimato do encontro casual na rua ou na deliberada procura do seu regaço acolhedor, fazem que LAURINDA POÇAS DA SILVA seja símbolo do mais puro voluntariado e do mais seguro e eficaz empenho social, a demonstração viva de que todo o ser humano dispõe de infinita capacidade de ajuda, para cuja concretização basta… querer.»
RUA DE MÓNICA CARDIAMónica Cardia nasceu na Póvoa de Varzim, em 1617 e aí faleceu, no dia 19 de abril de 1680, tendo sido sepultada na antiga Igreja Matriz, no lugar da Mata. Era filha de António Cardia e de Maria de Faria Grangeiro. Segundo Jorge Barbosa, o seu pai foi uma «figura destacada no meio social poveiro da sua época, tendo sido pilioto-mor da Armada que foi à libertação e defesa da cidade da Baía, Brasil. Depois da restauração das Ordenações do Reino, por D. João IV, passou a desempenhar as funções de capitão da Vila da Póvoa de Varzim». Por via materna, era bisneta de «outro piloto e poveiro muito ilustre» – o Capitão Diogo Dias de S. Pedro. Mónica Cardia casou em primeiras núpcias, em 19 de junho de 1639, com o piloto Manuel Afonso, de S. Miguel de Palme, Leça da Palmeira, e em segundas núpcias, em 21 de junho de 1650, com Heitor Pinto de Almeida, «filho que foi de João Cerveira de Morais, da Esgueira, e de Maria Pinto de Macedo, tendo então Mónica Cardia adoptado o apelido Macedo, de sua sogra». Segundo o mesmo autor, «foi graças a um legado de António Cardia e de sua filha Mónica Cardia de Macedo à Confraria do Santíssimo Sacramento que se institui a celebração das cerimónias da Semana Santa na Póvoa de Varzim, conforme testamento comum que fizeram em 16 de Abril de 1678, acrescentando de um codicilo dado só por António Cardia em 24 de Abril de 1679 (…)» BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim VI. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1994, pp. 260-263.. Ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia da Póvoa de Varzim, de 25 de setembro de 2024
RUA AGUSTINA BESSA LUÍSAgustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, em 15 de outubro de 1922 e faleceu no Porto. Viveu na Póvoa de Varzim, na Avenida Mouzinho de Albuquerque, no rés-do-chão esquerdo da “Villa Myosotis”, entre a infância e a juventude (“A casa que eu recordo com um sentimento de certa candura e entendimento com o mundo foi aquela em que vivi dois ou três anos na Póvoa”). Luís Diamantino, Vice-Presidente da Câmara Municipal, aquando do descerramento da Placa Comemorativa dos 100 anos do aniversário do seu nascimento, testemunhou que a escritora “nos seus livros, expressa sempre o sentimento que tem por esta casa (Villa Myosotis), pela Póvoa de Varzim, pelo Colégio das Doroteias, e descreve a Póvoa de Varzim como “o espaço que marcou a sua adolescência e que foi marcante para a sua vida futura”. A autora continuou a visitar a Póvoa de Varzim em muitas ocasiões, tendo integrado as tertúlias no café Diana Bar, juntamente com José Régio e Manoel de Oliveira, entre outros. Muitos dos seus livros têm a Póvoa de Varzim como principal referência, de forma explícita, na sua maioria, e descrição direta dos lugares mais emblemáticos, como o Diana Bar, o largo do antigo Café Chinês, o Casino, o Guarda-Sol, entre muitos outros, mas também das pessoas, das vivências, dos costumes e do “vento indomável”. A escritora, em 2005, foi convidada a proferir a conferência de abertura do Correntes d’Escritas. Mais tarde, em 2010, foi capa e figura homenageada na revista com o mesmo título do encontro de escritores de expressão ibérica. Para Agustina Bessa-Luís, “A Póvoa é eterna. Mais eterna do que Roma e Monte Carlo. (…) A Póvoa não muda” SANTOS, José da Cruz (coord.) – Dezasseis olhares sobre a Póvoa de Varzim. Póvoa de Varzim: Casino da Póvoa; [Porto]: Mododeler, 2013, p. 63.. Ata da reunião da Comissão Municipal de Toponímia da Póvoa de Varzim, de 25 de setembro de 2024
RUA DA MARIADEIRAO topónimo provém de Maria da Eira. Uma eira é onde se secam e malham os cereais dourados. Era uma zona rústica, mas nos seus campos nunca ficaram êrmos. Em 1785, havia ali 73 casas e propriedades. Posteriormente tornou-se num bairro operário e foi povoada por algumas famílias de pescadores.
RUA DA MADRE SÁTopónimo aprovado na reunião camarária de 4 de novembro de 1982. Inicia na Rua d’O Comércio da Póvoa de Varzim e termina na Rua da Fonte da Bica. «Júlia Prudêncio Ferreira de Sá nasceu na Rua do Almada (actualmente Rua de Paulo Barreto) na Póvoa de Varzim, no dia 4 de Abril de 1872 e aqui faleceu no Colégio Sagrado Coração de Jesus, à Rua do Dr. Josué Trocado, às 19.00 horas do dia 20 de Outubro de 1960. Sua mãe, D. Ana Prudêncio dos Santos Sá, que foi grande educadora e senhora de nobres virtudes, fundou na Póvoa um colégio para instrução e educação de meninas, nas suas casas da Rua da Silveira (actual Rua de Rocha Peixoto), sendo ela directora e suas três filhas Júlia, Olindina e Aurora as professoras, com intenção de depois entregar o colégio a uma ordem religiosa, na qual suas filhas professariam, o que veio acontecer (…). Em 1898, já nos aparece a Madre Sá como Mestra Geral no Colégio de Guimarães, com apenas o primeiro ano do Noviciado, lugar em que se manteve até 1908, ano em que transita para o Colégio do Sardão (Oliveira do Douro, V. N. de Gaia), onde continuou a ser Mestra Geral até à Implantação da República, em 5 de Outubro de 1910. Este regime extinguiu as ordens religiosas, tendo conseguido a Madre Sá, com a sua tenacidade e perseverança de remar contra a maré, manter as Casas do Sardão e de Vila do Conde (Colégio S. José). A casa da Póvoa (e portanto o Colégio) foi também expropriada e nela se instalou o Liceu e, depois do final de 1914, a nossa unidade militar (…). Também a Madre Sá conheceu o exílio, tendo estado na Bélgica, Inglaterra e finalmente na Suíça (…). Em Dezembro de 1920 está a Madre Sá em Pontevedra (…); em 1921 regressa, finalmente, à sua Póvoa (…), instalando-se numa velha casa do Largo do Dr. David Alves), n.º 6 e depois da Rua do Boído, 8 (casa do Padre Aurélio Faria). Com o auxilio do Prior Padre Álvaro Matos abrem as irmãs Doroteias então o seu Colégio na casa que foi do Padre Francisco Leite de Morais, à Rua da Igreja, 38 (…). Aí, teve a Madre Sá o cargo de Mestra Geral, durante muitos anos; como as instalações se tornassem deficientes e acanhadas, dado o aumento crescente de alunas internas e externas e o edifício necessitasse de grandes obras de restauro, resolve então a Madre Sá meter ombros à construção de um novo Colégio em terrenos adquiridos à Família Matos, com frente para a Rua de S. Pedro e Rua de Almeida Brandão, para o que contou com a ajuda de muita população da Póvoa (…). Graças a essas ajudas, o novo edifício foi construído de 1927 a 1930 e aí está ele, com a frente para a actual Rua Dr. Josué Trocado. Nele a Madre Sá passou os últimos anos da sua vida, sempre dedicada ao ensino, à educação das suas numerosas alunas (…). Aqui também se fez sentir a acção benemérita e filantrópica da Madre Sá, fundando essa bela obra que foi as Florinhas do Mar: protecção, ensino e educação de meninas pobres (…).» BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim V. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1991, pp. 94-96.
PRACETA DA IRMÃ MARIA CAMPOSTopónimo aprovado na reunião camarária de 24 de junho de 1992. Arruamento com início na Rua de Penalves. «A Irmã Maria Campos – Irmã Maria do Divino Coração, na congregação religiosa que ajudou a fundar – de seu nome completo Maria Rosa Campos, nasceu às 3 horas da manhã do dia 19 de Fevereiro de 1891, na Rua das Hortas, Póvoa de Varzim. Filha de José Francisco de Campos, carpinteiro, de Beiriz, e de Maria Rosa dos Santos (…). Aos 7 anos já era aluna do Colégio do Sagrado Coração de Jesus, das Irmãs Doroteias, na Rua da Silveira, hoje de Rocha Peixoto (…). Desde os 18 anos que se dedicou a obras de apostolado, entrando pouco depois para a Sociedade de Santa Doroteia, que abandonaria por doença (…); porém, continuou a colaborar activamente em obras pias, na catequese, beneficência e Pia União das Filhas de Maria, de que foi uma das Directoras. Colaborou então muito intensamente, até aos 32 anos, com o Padre António da Silva Gonçalves, pároco da Matriz (…). Foi na Casa da Travanca, em S. Lourenço de Sande, da família do Prior Silva Gonçalves, que Maria Campos conheceu o Padre Dr. Adão Salgado Vaz de Faria, que então pensava fundar a Obra da Divina Providência e Sagrada Família, a cuja ideia logo aderiu (…). A Irmã Maria Campos pôs todo o seu valimento ao serviço da Obra (…), dando todo o recheio da sua casa da Praça do Almada, n.º 6 (…). No quintal dessa sua residência, com frente para a Rua de Joaquim Martins da Costa, construiu duas moradias, n.?? 27 e 27A, para casa de repouso das irmãs doentes, convalescentes, com necessidade de banhos de mar ou de sol (…). Esta Congregação tem dezenas de comunidades e centenas de irmãs espalhadas por várias casas pelo país. Na Póvoa de Varzim, é bem conhecida a acção desenvolvida por estas Irmãs na Associação de Solidariedade Social “A Beneficente”. A Irmã Rosa Campos faleceu no dia 16 de Novembro de 1973, com 82 anos, na sua cela do Seminário de Santiago, freguesia da Cividade, Braga.» BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim VI. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1994, pp. 280-282.
RUA DE MARGARIDA DE LACERDATopónimo aprovado na reunião camarária de 24 de junho de 1992. Arruamento sem saída com início na Rua de António Gonçalves Linhares. «Margarida Castro Alves de Lacerda nasceu na Póvoa de Varzim às 1.30 horas da tarde do dia 14 de Novembro de 1887. Filha do Dr. José António de Castro Alves (que foi secretário da Câmara), natural de Retorta, Vila do Conde, residente então na Rua Carlos Alberto, na Póvoa de Varzim, e de Almerinda do Vale Souto e Castro. Faleceu no Caramulo, Guardão, concelho de Tondela, no dia 1 de Novembro de 1976, com 88 anos de idade. Casou com o Dr. Jerónimo Maria de Lacerda no dia 24 de Fevereiro de 1919, em Tondela, onde passou a viver. Em 1920, o Dr. Lacerda, distinto médico, funda a sociedade do Caramulo, SARL, instalando depois Hotéis e Sanatórios, para tratamento da Tuberculose Pulmonar, em Paredes do Guardão, Caramulo, para onde, em 1923, a novel família Lacerda se transfere, aí passando a viver (…). D. Margarida de Lacerda, senhora de esmerada educação e fino trato, estava sempre disponível para abrir caminho às embaixadas poveiras que se deslocavam a Lisboa para tratar de assuntos vitais e muito relevantes para a nossa terra – chegava a recebê-las previamente na sua casa do Caramulo –, recomendando-as, com todo o seu valimento, junto das instâncias superiores, que muito a consideravam. Foi também grande protectora dos pobres, desprotegidos e necessitados da nossa terra, promovendo o internamento e tratamento gracioso de alguns seus conterrâneos nos sanatórios do Caramulo, de que seu marido era fundador e director. Teve na Póvoa a casa herdada de seus pais, na Rua da Igreja, n.º 28, casa que foi de António Cardia e sua filha Mónica Cardia – e na qual viveu os últimos anos da vida seu tio e padrinho Aparício do Vale Souto, e ainda uma moradia na Avenida dos Banhos, um pouco a norte da Travessa dos Banhos, onde passou algumas épocas balneares. Porém, onde estanciava mais frequentes vezes, era na Casa do Monte, da sua amiga de infância D. Virgínia Campos (…).» BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim VI. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1994, pp. 288-290.
RUA DAS LAVADEIRASA mais antiga referência a este topónimo aparece em 1865. Inicia na Rua de Carlos Alberto e termina na Rua de Paulo Barreto. «É o nome popular com que aparece designada, desde meados do século XIX, a antiga rua das Trempes (…). Cândido Landolt escreveu, em 1906: “O título de rua das Lavadeiras nunca pode ser tirado. Quem se não lembra do povo ir lavar ao Ribeiro d’Amadinha, ribeiro que desapareceu com o saneamento da vila?”. Em Maio de 1911, escreveu ainda o mesmo autor: “Rua das Lavadeiras – Chamavam As Trempes à parte ocupada pelo leito do regato que passava por traz dos Paços do Concelho, e como era ali que as mulheres iam lavar as roupas, denominou-se mais tarde ‘Rua das Lavadeiras’, quando a Câmara transformou o lanço que vai da Rua do Pelourinho à Rua de Carlos Alberto” (…).» BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim III. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1975, pp. 30-33.
RUA DA AMADINHAA mais antiga referência a este topónimo aparece em 1679. Inicia na Rua do Visconde e termina na Rua de Carlos Alberto. «Qual a origem deste topónimo Amadinha? Virá de alguns dos muitos Amadores que existiram nos séculos XVI e XVII, alguns de certa categoria social, como Amador Álvares Varzim, piloto, mestre de galeões, capitão de navios, ouvidor do Julgado de Azurara (1626), Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Azurara (1642, 1646 e 1656), dono do casal de Cassapinho, na Póvoa; ou de alguns dos muitos outros Amadores que aparecem nos assentos paroquiais desta vila, como Amador Fernandes (1552), Amador Pires (1553), Amador João (1575), Isabel Amadora (1584), Maria Amadora (1602 e 1666), etc. Ou virá antes de alguma história de amor, hoje ignorada? Deixou Fernando Barbosa, escrito nos seus apontamentos, que Santos Graça lhe contara ter encontrado no Arquivo Municipal um documento no qual se relata que morava nesta rua um capitão de marinha que se apaixonara por uma sua escrava (…) e que à data da sua morte a nomeou herdeira dos seus haveres; por isto lhe chamaram a “Amadinha”. Estará, repete-se, nesta ignorada história de amor, a origem do nome desta rua? (…).» BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim I. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1967, pp. 62-67.
RUA DE LEENA MARQUESTopónimo aprovado na reunião camarária de 20 de setembro de 2010. Inicia na Rua do Padre Leite de Morais e termina na Rua do Padre João José da Cruz. «Leena Lucinda Costa Vilarinho Marques (1944-2007) completou os estudos liceais no Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães e terminou o Curso do Magistério Primário, em Braga, aos 18 anos. Trabalhou como professora na sua terra natal e em Cinfães, após o seu casamento, em 1966. Concluiu o Bacharelato em Filologia Românica, em 1969, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Deu aulas na Escola Preparatória de Loulé e, em 1973, foi colocada no Liceu Nacional da Póvoa de Varzim (hoje Escola Secundária Eça de Queirós). Em 1978, foi colocada na Escola Dr. Flávio Gonçalves. Em 1990 licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A Professora Leena Marques envolveu-se em vários projectos associativos, nas áreas da educação, da cultura e da acção social. Foi a primeira Presidente da Assembleia-geral do Instituto Maria da Paz Varzim e foi sócia fundadora do Fórum Abel Varzim – Desenvolvimento e Solidariedade, com sede em Lisboa. Foi também sócia da Associação de Solidariedade Social de Professores, do Clube Desportivo da Póvoa, de A Beneficente e ainda do Centro Social da Paróquia da Matriz. Foi Presidente da Cooperativa de Cultura A Filantrópica, entre Março de 1996 e 2007. Integrou as listas de candidatura à Câmara Municipal da Póvoa de Varzim pelo Partido Socialista, em 1989, e à Assembleia da República, em 1995.» Relatório da Reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 14 de setembro de 2010.
RUA DE MARIA FERNANDESTopónimo aprovado na reunião camarária de 4 de novembro de 1982. Arruamento sem saída com início na Rua de Leonardo Coimbra. "Quem foi Maria Fernandes? Desta prestante e zelosa poveira, apenas sei o que dela nos diz Veiga leal, na Resposta à Pergunta n.º 12 da sua "Notícia da Villa da Povoa de Varzim, feita a 24 de Mayo de 1758", para as Memórias Paroquiais de 1758 escritas para o "Dicionário Geográfico" de Padre Luís Cardoso. Dêmos então a palavra a Veiga leal: "Ao tempo em que se considerava demolir-se a igreja antiga [primeira Matriz, no Lugar da Mata], logo se celebrassem os divinos offícios da nova igreja [a atual Matriz], deixando só n'aquella, ou a capella mór, como ermida, ou um padrão no adro para memória, não faltaram espíritos humanos, que talvez alumiados do divino espírito falassem em que seria louvavel erigir-se n'esta villa uma Santa Casa da Misericórdia. Agradou a todos o parecer, chegou aos ouvidos d'uma zeloza viúva lavradora chamada Maria Fernandes do arrabalde da Villa Velha, crescida em annos, e sem descendentes, a qual quis ser a primeira que lograsse o titulo de dotadora da Misericordia. Cooperou muito para este santo intento o conselho de quem lhe escreveu o testamento, que ella dispos fazer (…). Alem do testamento fez logo esta devota heroina aos 30 de maio de 1756 - uma doação de - 610$000 rs. que condicionalmente entregou, se se erigisse casa de Misericordia; aplicados a outra obra pia não se fazendo a ereção. Tem-se por certo não provira menos das palavras com que no testamento declara, e ella o diz, deixa á casa da Misericordia tudo quanto tem, tiradas umas esmolas que lega à confraria do Santíssimo Sacramento, e outras. Cuidou muito o senado e povo d'esta villa de reduzir a efeito o que ate li era consideração, juntaram-se na casa da camara em o dia 23 de maio de 1756 - e por unanimes votos erigiram com summa devoção a irmandade da Misericordia, (…), juntos segunda vez em dia 8 de junho do mesmo anno, por um termo escripto nos livros da camara fizeram publica a dita erecção (…)." Aqui está o nascimento da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Varzim e o que sobre a benemérita Maria Fernandes nos deixou escrito Veiga Leal, coevo destes acontecimentos que tão grandes e avultados benefícios trouxeram à nossa terra (…)." BARBOSA, Jorge - Toponímia da Póvoa de Varzim V. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1991, pp. 103-105.
RUA DE D. MARIA IMaria I de Portugal (1734-1816) foi rainha de Portugal entre 1777 e 1816. A primeira mulher a herdar o trono de Portugal, D. Maria I revolucionou a rígida administração anterior comandada pelo Marquês de Pombal. Apelidada de “Mãe do Povo”, "a Piedosa" e “a Louca”, foi também Rainha do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, quando foi sucedida por Dom João VI.
RUA DE EMÍLIA SAMPAIO DA NÓVOATopónimo aprovado na reunião camarária de 25 de setembro de 1984. Inicia na Rua do Dr. Alberto Pinheiro Torres e termina na Rua de Alberto Oliveira. «D. Emília Ermelinda de Sequeira Leal Sampaio da Nóvoa nasceu na Póvoa de Varzim no dia 18 de Julho de 1895 e aqui faleceu em 6 de Dezembro de 1965. Era filha do Conselheiro António Vicente Leal Sampaio e viúva do Coronel Francisco da Nóvoa, que dezenas de anos foi Comandante da nossa unidade militar e sobrinha-neta do escritor e polígrafo Alberto Sampaio. Senhora inteiramente devotada á Família e ao próximo mais necessitado, vejamos como o semanário local “Ala- Arriba” de 11 de Dezembro de 1965 se referiu ao passamento desta ilustre senhora: “Oriunda de uma distinta família de jurisconsultos, radicada no meio vimaranense, mas que havia feito da Póvoa a sua pequena pátria, aqui veio a ser educada, e aqui se arreigou definitivamente, aqui constitui família, e aqui quis vir também acabar os seus dias (…). No decorrer de meio século de vida social poveira, não houve manifestação de caridade, não houve tão pouco iniciativa de ordem religiosa, não houve mesmo qualquer movimento a favor de pobres, de doentes, de necessitados, onde D. Emília Sampaio da Nóvoa não marcasse a sua presença (…). Filha, Esposa e Mãe exemplar, dedicada á educação de uma família numerosa, abandonava às vezes os mil afazeres da sua casa tão eriçados de canseiras, para confortar o próximo, para dirigir uma campanha, para auxiliar as nossas casas de caridade (…).” D. Emília Sampaio foi Presidente Concelhia da Obra das Mães e do Movimento Nacional Feminino. Das várias condecorações recebidas, são de destacar a Comenda da Ordem da Benemerência e a Medalha de Filantropia e Caridade do Instituto de Socorros a Náufragos. Foi fundadora da Cantina de S. Judas Tadeu, na Casa dos Pescadores.» BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim V. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, 1991, pp. 66-67.
RUA DE MARIA PAZ VARZIMNa acta nº 37/89 da reunião camarária de 4 de Dezembro de 1989, encontra-se exarada a seguinte “Proposta do Sr. Vereador Dr. Augusto Gonçalves Sousa – Reconhecimento de mérito de munícipe. É presente a proposta referida em título que a seguir se transcreve: Esta Câmara Municipal, consciente de que se torna necessário reconhecer, publicamente, o mérito de munícipes que desinteressadamente serviram a Comunidade Poveira; atendendo a que a Senhora D. Maria da Paz Varzim da Silva Barbosa [25-06-1906/20-05-1956] manifestou, durante toda a sua vida, com modéstia, humildade, simpatia e generosidade, seus nobres sentimentos de doação total aos outros, servindo abnegadamente a Comunidade integrada em Associações Religiosas de solidariedade social e de beneficência, além da esposa e mãe exemplar. Proponho que se perpetue a memória da ilustre Senhora através da designação toponímica com o seu nome atribuído a uma arruamento da cidade a indicar pela Comissão Municipal de Toponímia”. A Câmara delibera, por unanimidade dos presentes, concordar com a proposta apresentada pelo Sr. Vereador Dr. Augusto Sousa, tendo o Sr. Vereador Sr. Silva Pereira feito a seguinte declaração: “Sendo delegado pela Câmara à Comissão de Toponímia a escolha dos nomes das ruas da cidade, aceito que a câmara possa, por deliberação do seu executivo aceitar que ela própria atribua o nome de uma individualidade à rua e a Câmara Municipal deve assumir na íntegra a escolha que fez”. A Câmara não assumiu na íntegra a escolha que fez, como sugeria o vereador Sr. Manuel Carvalho da Silva Pereira, pelo que, dando cumprimento ao proposto pelo vereador Dr. Augusto Sousa, foi consultada a Comissão Municipal de Toponímia que, na sua reunião de 20 de Março de 1990, emitiu a seguinte proposta: “Em sessão camarária de 4 de Dezembro de 1898, o vereador do Pelouro da Cultura apresentou uma proposta de reconhecimento público do mérito da munícipe D. Maria da Paz Varzim através da designação toponímica do seu nome atribuído a um arruamento da cidade, sem mencionar a sua localização urbanística. Neste contexto sugerimos: Que o arruamento que, partindo da Rua do Dr. Alberto Pinheiro Torres, circunda o loteamento existente e termina no enfiamento da Rua de Virgínia de Campos, se denomine Rua D. Maria da Paz Varzim. Neste ponto da reunião ausentou-se, por momentos, o Dr. Jorge Barbosa [por motivo óbvio].” Esta proposta, apresentada pelo vereador Dr. Duarte Resendes Aguiar, foi aprovada em reunião camarária de 1 de Agosto de 1990 e o seu teor não consta da acta, encontrando-se arquivada na pasta dos seus Documentos Integrantes.
RUA VIRGÍNIA CAMPOSVirgínia Alves campos nasceu na Póvoa de Varzim em 10 de Fevereiro de 1889 e aqui faleceu no dia 15 de Junho de 1979. Nasceu, viveu e morreu na sua casa do largo das dores (actual rua do senhor do monte), 3, que anteriormente pertencera a seu tio-avô Manuel Fernandes da Silva Campos, barão da Póvoa de Varzim. Era cunhada do Dr. Josué Trocado. Esta distinta senhora foi dotada de grandes virtudes e o convívio diário, que direi familiar, durante dezenas de anos, autoriza-me a afirmar e testemunhar a sua acção benemerente para com as casas de filantropia, beneficência e caridade da nossa terra, assim como para com as mais diversas instituições pias e religiosas. Foi grande protectora dos pobres, sobretudo, por intermédio de terceiras pessoas e sempre de modo que os beneficiados não chegassem a saber a identificação de quem prodigalizava os auxílios prestados. Nunca a D. Virgínia campos contabilizou os gastos da sua generosidade e da sua benemerência. Relacionada com alguns altos poderes da igreja e do estado, pôs sempre a sua influência pessoal ao serviço dos grandes interesses da Póvoa, que tanto amava. Recebeu com distinta fidalguia, em sua casa (a casa do monte), algumas ilustres personalidades civis e religiosas em visita oficial à Póvoa de Varzim, como varias vezes testemunhei. Gratidão devera ser o agradecimento sentido da Póvoa por quem, muito generosa e desinteressadamente, lhe prestou tão assinaláveis e relevantes serviços. BARBOSA, Jorge – Toponímia da Póvoa de Varzim. Póvoa de Varzim Boletim Cultural. Póvoa de Varzim: Câmara Municipal, Vol. XXVIII, nº 1 (1991), p 202.
RUA ALICE CRUZMaria Alice Amorim Cruz (Póvoa de Varzim, 30 de janeiro de 1940 – Lisboa, 10 de junho de 1994) foi uma locutora e apresentadora de televisão portuguesa. Começou por trabalhar em Angola, primeiro como locutora da Emissora Católica e depois como locutora da Emissora Oficial de Angola. Nesta posição fez reportagem, entrevistas, teatro radiofónico e produção de programas, como por exemplo a apresentação do programa Chá das Seis. Estreou-se na RTP em 1963, no programa Presença no Ultramar. No entanto, só quatro anos depois ingressou nos quadros da RTP, onde já apresentava a rubrica Ponto de Vista. Foi só em 1970 que se impôs definitivamente como uma das caras mais conhecidas e respeitadas da televisão portuguesa. Para isso, contribuiu a apresentação do programa A Hora do Almoço, com que a RTP se estreou em emissões naquele período do dia. Tratava-se de um programa que incluía rubricas informativas, recreativas e de divulgação. Alternava a apresentação com Ana Zanatti e Linda Bringel. Em 1972, viveu outro dos momentos altos da sua carreira ao apresentar o programa Domingo à Noite, que era gravado no Teatro Maria Matos, em Lisboa. "Domingo à Noite" era um dos programas preferidos do público, sendo constituído por números musicais, de bailado e de humor, neste caso protagonizados por Florbela Queiroz e Norberto de Sousa. O programa teve 60 edições e partilhou a apresentação com Henrique Mendes, Eládio Clímaco e Maria Margarida. É também em 1972 que apresenta pela primeira vez o Festival RTP da Canção, juntamente com Carlos Cruz. No ano seguinte, participou ao lado de Artur Agostinho no programa de entrevistas O Tempo em que Você Nasceu. A partir daí, foi uma presença assídua na RTP, tanto na apresentação de programas de entretenimento como de concursos. Além da televisão, colaborou com os Parodiantes de Lisboa, teve uma passagem pela rádio, na Antena 1, onde apresentou Felizmente há Domingos e assinou uma rubrica, Querida Alice, no jornal Tal & Qual. Entre 1988 e 1991, acumulou as funções de locutora com a de directora da revista feminina Guia. Foi casada com o também locutor e apresentador Rui Romano. Teve um filho, José Luís, nascido em 1960.

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